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Coluna Notas e Apartes do Jornal Correio Semanal de Santo Cristo – Publicada em 25/06/2010

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De Maputo, Moçambique, e Johannesburgo, África do Sul

Moçambique

Colônia portuguesa até 1975, Moçambique adquiriu a independência há apenas 35 anos, completados exatamente hoje. Segundo o jornal Magazine, Moçambique tinha apenas uma universidade em 1975, a Lourenço Marques, onde o número de estudantes moçambicanos não passava de 40, enquanto o total de estudantes do país não passava de 200 mil. Hoje, Moçambique conta com mais de 30 instituições de ensino superior e com mais de sete milhões de estudantes ao todo.

Maputo

A capital do país é uma cidade de porte médio com amplas avenidas e muitos carros de luxo circulando. O transporte público segue o modelo da África do Sul, baseado principalmente nas vans. Além das vans, tem muitos microônibus e um número relativo de ônibus. Além disso, tem uma vantagem fundamental. Todos os veículos são identificados e têm a inscrição do destino.

Sucessão

O Magazine traz como notícia principal que a sucessão de Guebuza vai ser um grande teste à Frelimo. A Frente de Libertação de Moçambique foi a grande responsável pela independência do país. Armando Guebuza é o atual presidente, que deixa o cargo em 2015. Os anteriores foram Samora Machel e Joaquim Chissano.

Museu

Visitei o Museu da História Natural de Maputo. É um belíssimo museu, com um acervo extraordinário. Tem objetos que eram usados pelos povos primitivos do país, além de centenas de animais silvestres, aves e répteis empalhados como se estivessem em seu ambiente natural.

Ônibus

Na África tem muitos ônibus fabricados no Brasil, especialmente da Morcopolo, de Caxias do Sul. Já viajei muito de ônibus em vários estados do Brasil e em grande número de países. Mas nunca havia visto um ônibus com cinco bancos em cada fileira, totalizando 70 lugares. A acomodação é muito ruim, pois o espaço é apertado.

Copa

A Copa do Mundo chega às suas fases mais decisivas. Vi cinco jogos nos estádios de Johannesburgo. Argentina x Nigéria, Dinamarca x Holanda, Brasil x Coréia do Norte e contra Costa do Marfim e Alemanha x Gana. Não tem mais ingressos à venda. Mas os estádios nunca estão completamente lotados. No dia 9 de junho, comprei ingresso para o jogo do vencedor do grupo do Brasil contra o segundo colocado do grupo H. A partida é segunda à noite. Meu voo sai às 10 da manhã. Como não consegui trocar a passagem para o dia seguinte, não vou conseguir ver o jogo.

Trocas

Eu trouxe do Brasil camisetas e uma série de badulaques para trocar com torcedores de outros países. Mas as trocas são raras. Poucos tiveram a mesma idéia de trazer coisas para trocar.

Inverno

Esta é apenas a quinta Copa realizada no inverno. E o frio se fez sentir forte por aqui, especialmente na semana passada. Em Johannesburgo, o inverno é seco, ao contrário da Cidade do Cabo, onde as chuvas são frequentes. Tão seco que tem muita vegetação queimada por aqui. Devido às fortes geadas, o trigo é plantado somente em agosto.

Torcidas

Encontrar torcedores de todo mundo dividindo os mesmos locais faz da Copa do Mundo a festa mais civilizada do esporte mundial, juntamente com as Olimpíadas.

Coluna Notas e Apartes do Jornal Correio Semanal de Santo Cristo – Publicada em 18/06/2010

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De Johannesburgo, África do Sul

Começou

A Copa do Mundo é a maior festa do futebol mundial, realizada a cada quatro anos pela FIFA. Pela primeira vez, acontece na África. Mas os sul-africanos estão deixando a desejar. São muitas as queixas. A polícia e os voluntários prestam informações incompletas e contraditórias.

Transporte

A maior deficiência está no transporte. Não tanto durante os jogos, mas nos demais horários do dia. O modelo é equivocado. Eles optaram pela van, que leva 15 pessoas, em vez do ônibus, com capacidade para 60 ou mais. E os veículos não têm qualquer identificação e nem indicam o roteiro ou destino. E como aqui tudo fica longe, a coisa fica ainda mais difícil.

Carro

Muitos estrangeiros alugam carro aqui, a preço acessível. Assim fica mais fácil se deslocar para qualquer parte da cidade ou da região. Mas isso é para quem vem em grupo.

Hospedagem

Até no último domingo, estive alojado em três albergues diferentes. Mas a procura é muito grande. Embora tenha feito reservas em janeiro, já era tarde para conseguir vaga para todos os dias. Alguns alugam casa. Outros se alojam em casas particulares. É o meu caso. Desde segunda-feira, estou na casa de um jovem chamado Shokane Khutso Joshua, dono de uma farmácia aqui no bairro de Rhodesfield, perto do aeroporto.

Internet

O acesso à internet é precário. Para anexar alguns pequenos arquivos se leva por vezes mais de uma hora. Lembra o tempo de internet por linha discada que a gente usava no início, em Santo Cristo e região. E os preços variam muito. De R 5,00 (cinco rands) a R 75,00 a hora. Um rand vale aproximadamente 27 centavos de real. Depende da cotação do dia.

Clima

Nas primeiras duas semanas, o clima por aqui estava agradável. Mas na terça-feira começou um frio muito forte. E o vento fazia com que a sensação térmica baixasse ainda mais a temperatura. Durante o jogo do Brasil, presumo que a sensação térmica estava próxima de zero grau.

Gente

Aqui se vê gente de todo o Mundo. As pessoas daqui, em sua esmagadora maioria, são muito feias. Mas beleza não faltou no jogo entre Holanda e Dinamarca. Foi a maior concentração de mulher bonita por metro quadrado que teve por aqui até agora. As holandesas, principalmente.

Jogos

No estádio, vi os jogos da Argentina x Nigéria, Holanda x Dinamarca e Brasil x Coréia do Norte. Nada de excepcional. Afora a goleada da Alemanha contra a Austrália, no domingo, os demais jogos tiveram um futebol burocrático, sem inspiração.

Brasil

A estreia é sempre complicada. Clima tenso, nervoso. Mas o Brasil cumpriu seu papel e ganhou da Coréia por 2×1. Num momento de desatenção, levamos o gol aos 43 minutos do 2º tempo. Quem mais lamentou foi o goleiro Júlio César.

Favoritos

Acho que Brasil, Argentina e Alemanha são os favoritos para o título. Se Argentina e Brasil forem os primeiros de seus grupos e passarem pelas oitavas e quartas de finais, poderão se enfrentar na semifinal, dia 6 de julho, na Cidade do Cabo. Mas ainda é cedo para estas projeções.

Coluna Notas e Apartes do Jornal Correio Semanal de Santo Cristo – Publicada em 11/06/2010

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De Johannesburgo, África do Sul

Cidade do Cabo

Aqui conhecida como Cape Town, a Cidade do Cabo fica no extremo sul do continente africano e também da África do Sul. Lá, fica o Cabo da Boa Esperança, antigamente chamado de Cabo das Tormentas. Naquele ponto do Oceano Atlântico, muitos navios de navegadores espanhóis e portugueses acabaram afundando quando se dirigiam às Índias para levar e trazer mercadorias.

Excursão

No domingo, aproveitei para participar de uma excursão até o Cabo da Boa Esperança, junto com um grupo de onze pessoas que estavam no mesmo albergue. Fez bastante frio. Visitamos uma colônia de leões marinhos, uma estação de pinguins africanos e o Cabo da Boa Esperança, onde fica o farol que orienta os navegadores.

Distância

Cerca de 1.500 km separam Johannesburgo da Cidade do Cabo. Fui para lá na quinta-feira, dia 3. Se viaja a noite toda e mais algumas horas do dia. São cerca de 19 a 20 horas. A passagem custa em torno de R$ 125,00. Viajamos em moderno ônibus da Marcopolo, ano 2009, fabricado em Caxias do Sul. Retornei a Johannesburgo nesta terça-feira, no início da tarde.

Deslocamento

Aqui tudo fica longe. O transporte coletivo é precário. Ônibus praticamente não existem. Tudo está centralizado em cima do transporte com vans, que levam em torno de 15 passageiros. O albergue onde estou agora fica bem próximo do aeroporto. Mas daqui até o centro da cidade são cerca de 40 km. É preciso pegar duas vans para chegar lá, ao preço de cerca de R$ 2,70 cada uma.

Metrô

O metrô foi inaugurado esta semana, dia 8. Tem somente quatro estações, bem distantes uma da outro. O trajeto total deve ter em torno de 25 km. Os trens são ultra modernos, confortáveis e muito rápidos devido às poucas paradas. A tarifa ‘e cara, cerca de R$ 5,70.

Ingressos

Consegui ingresso para o jogo do Brasil com a Costa do Marfim no câmbio negro, a R$ 400,00, semana passada. Nesta quarta, junto com três mexicanos que conheci no albergue, fomos ao escritório central da FIFA. Conseguimos mais alguns ingressos para jogos da Argentina, Alemanha, Holanda e um para as oitavas-de-final, no setor mais caro dos estádios, a preços proibitivos.todos para jogos em Johannesburgo.

Torcida

Na quarta ao meio-dia, havia grande movimento de torcedores no centro de Johannesburgo. Milhares de pessoas se aglomeravam e faziam barulho infernal com as conhecidas vuvuzelas. A TV deve ter mostrado as imagens aí no Brasil. Junto com os amigos mexicanos, estive no meio daquele movimento todo.

Entrevista

Depois de comprar os ingressos, fomos almoçar. Eram cerca de 15 horas. Nos deparamos com uma equipe da TV Globo/Sport TV, na mesa ao lado da nossa. Consegui uma entrevista exclusiva com o repórter Renato Ribeiro, da Globo, que está por aqui já faz cerca de um ano e meio fazendo a cobertura para a televisão. Na opinião dele, os favoritos para ganhar o mundial deste ano são Brasil e Argentina. E só.

Clima

O clima ‘e agrad’avel. Choveu na Cidade do Cabo, na segunda-feira. Em Johannesburgo ainda nao vi chuva. Ontem de manh~a, estava nublado e frio.

Coluna Notas e Apartes do Jornal Correio Semanal de Santo Cristo – Publicada em 04/06/2010

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De Johannesburgo, África do Sul

Viagem

Minha viagem ao continente africano iniciou no domingo à noite, indo de ônibus de Santo Cristo a Porto Alegre. De lá, na tarde de segunda, segui com avião da TAM a São Paulo, às 13h. Decolamos do Aeroporto Internacional de Guarulhos às 18h30, em avião da South African. A viagem até Johannesburgo durou 8 horas. Chegamos às 7h30 da manhã de terça-feira, equivalente a 2h30 da madrugada no Brasil.

Primeira Copa

Com o objetivo de incentivar a prática do futebol na África, a FIFA escolheu a África do Sul para sediar o mundial deste ano. A infraestrutura do país deixa um pouco a desejar. Muitas obras ainda estão em andamento, principalmente em Johannesburbo. Vi muitos operários trabalhando esta semana, principalmente em estradas.

África do Sul

O país fica no extremo sul africano e tem quase três mil quilômetros de litoral sobre os oceanos Atlântico e Índico. Ao norte, faz fronteira com Namíbia, Botsuana e Zimbábue. Com Moçambique e Suazilândia a leste. Também faz fronteira com o Lesoto.

Lesoto

Talvez seja o único caso no mundo com estas características em suas fronteiras. Ao menos é o único que conheço. O Lesoto é um enclave, um reinado. Fica no meio da África do Sul, totalmente encravado. Ou seja, é um pequeno país que faz fronteira com a África do Sul ao norte, sul, leste e oeste.

Segregação

A África do Sul conseguiu independência limitada em 1910, concedida pela Inglaterra. A independência política é bem recente e data do ano de 1961, quando o país se declarou uma república. O governo manteve o regime do apartheid, ou seja, a minoria branca governava o país com mão de ferro, impondo a segregação aos negros, que compõem a maioria esmagadora da população. Houve muita pressão internacional e por isso, em 1990, o governo sul-africano iniciou negociações para terminar com a discriminação dos negros, sendo realizadas eleições democráticas em 1994, quando o país aderiu à comunidade das Nações.

Jimmy

Ele é inglês e já está na sexta Copa do Mundo. Começou em 1990, na Itália, e depois disso esteve em todas as edições do mundial. Conheci Jimmy Speed na quarta-feira, no albergue onde me hospedei, em Johannesburgo. Ele é solteiro, tem 48 anos e mora em Londres. Já morou 11 anos em Nova Iorque, onde trabalhou como caminhoneiro. Também já visitou uma dezena de outros países, entre eles o Brasil, onde esteve cinco vezes. Em Londres, trabalha como carteiro. Para viajar tantas vezes pelo mundo dá para ter uma ideia de quanto um carteiro inglês ganha a mais que os nossos. Jimmy fala português e participa do Cidade Alerta deste sábado.

Benito

Este é brasileiro e está em sua terceira Copa do Mundo. Benito Maddalena é mineiro e trabalha como jornalista independente. Também conheci ele no mesmo albergue. Na quarta-feira, junto com Jimmy, fomos conhecer o bairro de Soweto, o mais famoso de Johannesburgo, onde ocorreu a maior segregação negra feita pelos brancos.

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